Só por hoje e talvez para sempre eu queria voltar aos tempos em que éramos ainda pequenos
e todos reunidos ao redor do fogão a lenha que mantinha quente a chaleira, as nossas mãos e corações.
Cada um disputava a tarefa mágica de abrir a portinha do fogão e colocar ali o mais belo pedaço de lenha e ver as brasas acesas.
O caixão de lenha, solene, guardava as lenhas que cada um aprendeu a cortar - cepos redondos de onde o machado tirava lascas.
Cada um aprendeu os ofícios que mantinham aquecida a casa nos gélidos invernos. Ao redor daquele fogão a lenha, onde ainda éramos pequenos e estávamos seguros perto das brasas e do colo materno e paterno.
Ainda não precisávamos carregar o mundo nem sabíamos sobre quanta dor é possível nem o quanto a vida seria gelada longe daquele fogão.
Devia haver um jeito de voltar lá e fazer tudo aquilo durar mais.
Crianças reunidas ao redor do fogo.
O amor reunido ao redor do fogo.
4 comentários:
óuummm, tão deliciosa lembrança me veio ao ler isso que cheguei a sentir o gosto do pinhão que meu pai fazia na "chapa" do fogão a lenha. Ele sentava em sua cadeira de palha, cruzava as pernas para que conseguissemos sentar na "cadeirinha" formada com suas pernas cruzadas, esfregava as mãos para aquecer, abria seu casaco de lã para nos cobrir e ali ficávamos conversando e comendo pinhão...magnifica Jeane. Beijos com carinho. Carla Ph.
Minha amada poeta...Vi as feições das crianças amparadas, protegidas nessa cena. E depois a árdua tarefa de digerir um mundo tão hostil em que colocamos nossos corações. Lindo!!!
Viu? Estou te seguindo e vou voltar sempre. Abraços dos ursinhos carinhosos. Beijos.
Lindo 'conto poético'. Os pesados fogões a lenha realmente aqueciam ambientes e corações. E o mundo de hoje é tão pesado de sentimentos
de iceberg!
Adorei. Beijos.
Posso assim dizer: RETRATO DA MINHA INFÂNCIA. E eu e meus irmão menores dormíamos na mesa, à luz de candeeiro, e o nosso pai nos pegava nos braços e nos levava pra cama. E deixava a porta aberta e um candeeiro iluminando o quarto para que a escuridão não nos acordasse.
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